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Psicologia Open Source – Uma proposta para a nova geração

1 de outubro de 2011

Antes de mais nada, não venho aqui propor uma abordagem nova ou uma linha de pensamento, o que quero trazer está mais para uma postura de movimento em pró de uma psicologia mais colaborativa e menos excludente, e porque não dizer retrógrada. Por tanto convido a toda atual geração de psicólogos e estudantes a juntos, criarmos soluções e estratégias para por um fim definitivo na separação que ocorre, muitas vezes de forma agressiva, dentro da própria psicologia. Mas este ponto eu abordarei mais adiante.

Primeiro entenda o porque do batismo deste movimento com o nome de “Open Source”. No mundo da informática, provavelmente, você já viu este termo, cujo o significado significa “código aberto”. Termo criado pela OSI ( Open Source Iniciative), cuja a proposta era (é) de criar softwares de forma colaborativa, sem tirar o mérito das criações individuais ou entrar em questões éticas. Numa visão mais “psicologizada” do assunto, podemos dizer que cada grupo de desenvolvedores mantem suas propostas, politicas e crenças, sem deixarem de colaborarem mutuamente, alem de manter aberto um canal para que terceiros possam aproveitar seus avanços. Tudo em prol de softwares livres e do respeito ao usuário que ganha em qualidade.

Certamente a psicologia tem muito que aprender com a área que, ironicamente, é exata. Dentro da psicologia, existem muitas separações e discursos moldados para destruir a proposta (visão) do “colega” da abordagem “contraria”. Mas espera ai! Aonde fica o “usuário” da psicologia nesta história ? Enquanto psicanalistas, humanistas, sociais até psicólogos analíticos, entre outros, ficam disputando para ver quem tem a “verdadeira” e unica verdade sobre a constituição do homem e sua psique, é o “usuário” quem fica no fogo cruzado, deixando de ter acesso ao melhor para lidar com sua angustia.  O “usuário” da psicologia tem vários nomes e grupos, pode ser chamado de paciente, cliente, de coletivo e social e enfim, do jeito que a abordagem melhor escolher.

O que quero propor que nos unamos para construir uma ponte para ligar as diferentes visões da psicologia para que possam aproveitar uma das outras quilo que tem de melhor. Temos a obrigação de criar uma canal de comunicação entre elas, e dar uma resposta a altura do tempo em que vivemos para este paradigma fundamentalista antiquado que ainda vivemos.

Imagine se um TCC e um psicanalista formem uma aliança em prol do cliente. Enquanto os psicanalistas tratam da origem do sintoma o terapeuta cognitivo comportamental, aliviam o sintoma em si para que o paciente/cliente, não tenha sua rotina comprometida. ou imagina as possibilidades de uma união entre Psicologia Analítica e NeuroPsicologia   Não sei como vamos chegar a isso, mas temos que começar já, principalmente se você for como eu, da geração que está chegando.

Não existe formula e método de fazermos isso pronto, precisamos nos organizarmos e nos juntarmos para que criemos juntos os primeiros passos para a construção de uma psicologia colaborativa. Então fica o convite para que você junto comigo consigamos responder a questão que é pertinente neste período em que vivemos. O que nós, como geração, podemos fazer em prol de uma psicologia colaborativa?

Então é isso. A Psicologia Open Source, é um movimento que pretendo iniciar aqui no pré-junguiano, em prol de uma psicologia colaborativa. Ninguém precisa abandonar seu mentor teórico (Freud, Jung, Skinner e etc…), mas podemos nos ajudar mutuamente em prol dos “usuários” da psicologia.

Me ajude a construir estratégias, participe deixando ideias, sugestões e discussões nos comentários, por email (eliasribeiro85@yahoo.com.br) e pretendo criar também outro canal de comunicação (como um fórum) para nos organizarmos. Mas não deixe de se manifestar, precisamos nos organizar e nos unir. E se puder, semeie esta ideia.

Muito obrigado, aguardo o retorno de vocês e até o próximo post!

Dica de Livro: “SAIBA QUEM ESTÁ À SUA FRENTE”

7 de setembro de 2011

Capa Livro

Sei que venho devendo uma atualização a algum tempo e como tenho a politica de que se for para colocar qualquer coisa é melhor deixar sem nada. Porem não posso deixar de compartilhar uma dica legal.

Começei a ler hoje o livro, “SAIBA QUEM ESTÁ À SUA FRENTE”, cujo o autor é João Oliveira, para quem é de Campos ou até mesmo do Rio, já o deve conhecer o nome já que se trata de uma importante personalidade local. Enfim o livro aborda, como já sugere a capa, a analise das expressões faciais e corporais que esboçamos sempre que reagimos a diversas situações e emoções autenticas e que de fato são feitas a nível inconsciente, por tanto impossível de oculta-lás ou fingi-las.

Imagine poder saber quando alguém está mentindo ou escondendo alguma coisa, ou até mesmo ser capaz de descobrir quando sua “plateia” já está impaciente com seu discurso. Tentador não? Mas vai o alerta: O objetivo não é fazer você escolher melhor suas amizades, descartando os mentirosos, até porque você mesmo mente, é humano, mas sim lhe dar uma ferramenta para que seja capaz de conduzir melhor suas relações pessoais.

Tentarei dar um Update neste post depois que terminar minha leitura ( o livro chegou ontem pouco antes de sair para a faculdade), deixando algumas considerações finais.

O autor, João de Oliveira, já vale o livro. Para quem o conhece sabe que é um profissional competente e muito exigente com suas pesquisas. Tenho o orgulho de conhece-lo pessoalmente e também fui e sou aluno dele e vejo de perto o quão a fundo ele vai em seus projetos, sem falar no cuidado para a escolha de fontes e a base teorica.

Para adquiri-lo você pode pedir na própria editora (http://wakeditora.com.br), me parece que na Travessa também tem, e muito provavelmente já deve está chegando, se não chegou, em uma livraria perto de você.

Sinopse retirada da Wak Editora:

O Livro “SAIBA QUEM ESTÁ À SUA FRENTE, análise comportamental pelas expressões faciais e corporais” é um manual de como viver bem entre humanos. É fácil de ler, por sua forma didática e absolutamente simples na linguagem, indicando, passo a passo, como observar o surgimento de emoções nas faces e de que forma podemos fazer uma prévia e rápida avaliação de alguém, somente pelas rugas de expressão.

Os resultados podem ser colhidos no dia a dia, em conversas triviais, ou em atividades profissionais, como psicólogos, médicos, professores, vendedores, agentes de segurança, operadores da lei e qualquer pessoa, que tenha a interação humana direta como meio de vida.

Com muitas ilustrações e reunindo pela primeira vez em um único exemplar técnicas criadas em ambientes diferentes, este livro é útil para todas as áreas da vida prática, desde as relações familiares e íntimas até as profissionais.

  • Atualizado 11/09/2011: Terminei de ler o livro e achei fascinante, e o melhor de tudo é que a linguagem é extremamente fácil! Não precisa ser um especialista em neurolinguistica, como o Dr. Cal Lightman (da série Lie to Me). Os capítulos são bem explicados e ensinam a lógica das expressões, com bos referencias bibliográficas, incluindo Dr. Jung (foi uma das primeiras coisas que procurei, as referencias bibliográficas). Enfim o livro é ótimo e recomendo para quem quer entrar neste mundo. É claro que isso requer prática e como conselho pessoal recomendo que se matricule no curso de analise comportamental para ampliar suas percepções em relação ao outro, o autor do livro dá aulas no estado Rio (Copacabana e em Campos dos Goytacazes), e acho que é o único no momento que dá este curso de forma oficial no Brasil. Bem como Dizem #Fica a Dica!

Um grande abraço a todos e até o próximo post.

E-book “A Sincronicidade” (Conferencia de 1951)

21 de janeiro de 2010

 

Este e-book é na verdade a apresentação do Prof. Gustav G. Jung de 1951 sobre a sincronicidade. O trabalho possui 7 páginas (pois é o que foi apresentado) e vale a pena.

A sincronicidade é um tema complicado e muitas vezes “mistificado”, porém Jung calcou sua teoria baseado no fato de que o inconsciente possui muito mais informações que a própria consciência e por tal característica é capaz de arriscar “deduções” muito superiores a da consciência, porem não chega a ser algo “mágico” como alguns colocam, mas nem por isso deixa de ser fantástico.

Bem isso foi um pouco do que compreendi, mas nada substitui uma boa leitura sobre o assunto, por tanto segue abaixo o link para o Download da conferencia.

Click aqui para baixar o e-book, “A Sincronicidade”

Abraços a até o próximo post.

6 Coisas que você deve saber sobre as “Psi”

17 de dezembro de 2009

 

image Olá Pessoal! Hoje resolvi fazer algo mais a nível de descontração, por isso eu andei colhendo algumas curiosidades na própria internet, sobre as “psi” (psicologias/psiquiatrias) e postei as 6 mais interessantes. Não tenho como confirmar a autenticidade de todos, mas não deixam de ser informações no mínimo curiosas.

1-“Jung foi a primeira pessoa a conhecer e divulgar a cor azul do planeta Terra. Na sua autobiografia, ele relata que, após um ataque do coração, teve uma experiência de quase-morte (obtendo, assim, uma expansão de consciência semelhante a uma saída fora do corpo) e constatou, deslumbrado, a coloração azul da Terra, o vermelho-amarelado do deserto do Saara, ou o verde-ferrugem dos continentes. Tudo isso em 1944, 17 anos antes do primeiro homem ir ao espaço!” (extraído/referencia ao fim do post)

2- Diferenças entes as “psis”: Muita gente tem dificuldade em diferenciar psicologia, psicanalise e psiquiatria. Então ai vai:

Psiquiatria: O psiquiatra é um profissional da medicina que se especializou em doenças mentais. Ele também pode receitar remédios, diferente do psicólogo.

Psicologia: O psicólogo é quem tem formação superior em psicologia. A psicologia é a ciência que estuda os processo mentais e o comportamento humano.

Psicanalise: Á psicanalise é um método terapêutico criado por Sigmund Freud. O psicanalista pode ser formação superior em várias áreas de ensino.(psicologia, medicina e etc…)

3 Os primeiros dias de vida para os recém nascidos, são um dilema para os Psicólogos. Não adianta entrar em muitos detalhes, basta uma pesquisa rápida e você vai notar que não há uma teoria definitiva, sobre assuntos como linguagem, pensamento e inteligência entre os víeis mais aceitos.

4- Porque “Freud Explica”? Depois de publicar a “Psicopatologia da Vida cotidiana”(1901), Freud ganhou uma certa popularidade e chegou a ser comparado ao Sherlock Holmes (seu personagem favorito). Então já era de se esperar que Freud fosse visto como um infalível solucionador de enigmas. Também virou um tipo de “Moda” buscar uma explicação Psicanalítica para tudo na época.

5- A cocaína  e Freud. Freud estudou as possibilidades terapêuticas da cocaína, incialmente para curar o vicio de morfina de um amigo e posteriormente seu potencial anestésico. Mais tarde o médico Karl Koller, utiliza desses dados e usa a Cocaína como anestésico em cirurgias oftalmológicas, dando inicio das anestesias em cirurgias modernas. (como curiosidade adicional, os estudos de Freud em relação a cocaína o deixaram com fama de viciado, porem não há confirmação oficial deste)

6- O Brasil, foi o primeiro país a ter a profissão de psicólogo regulamentada  em caráter nacional. A Lei 4.119, que regulamentou a profissão de psicólogo, foi sancionada em 27 de agosto de 1962, pelo presidente João Goulart. Foi publicada no DOU de 05/09/62.

Bem essas foram as curiosidades que eu encontrei em minhas caminhadas pela grande rede. Se você tem alguma correção a fazer, ou tiver mais curiosidades, mande pra gente: alceman@hotmail.com

Referencias:

http://www.brasilescola.com/curiosidades/psiquiatra-psicologo-psicanalista.htm
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080428100220AA3rVgY
http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=36410.0
http://dererummundi.blogspot.com/2007/08/curiosidades-histricas-cocana-e-quinino.html
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/08/jung_e_a_mediun.html
http://psicologiafag.blogspot.com/2008/02/curiosidades-sobre-sobre-o-curso-de.html

http://psicologia.org.br/internacional/fig/quadro_3.jpg

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Anima e Animus e os Pares Ideais

11 de dezembro de 2009

 

Antes de mais nada devo lembrar que ainda não sou formado, porem este trabalho não tem valor como referencia para um estudo mais profundo. Caso se interesse pelo assunto, utilize as referencias ao fim deste post.

image

Acho que posso dizer sem medo de errar que todos podem dizer que possuem seu “tipo de mulher” ou “tipo de homem”. Também não é incomum ouvirmos que “Fulana só namora o homem errado”. Se nos guiarmos pelo senso comum podemos deduzir que há um padrão, e eles podem estar certos, pelo menos pelo viés da psicologia, especialmente para Jung e Freud, nota-se que tanto o homem quanto a mulher, constroem um ideal para as escolhas de seus parceiros, e tentarei mostrar este fato por um ângulo Junguiano.

O inconsciente para Jung, está dividido “anatomicamente” em duas partes, o pessoal (similar aquele descrito por Freud), e o coletivo (comum a todos os indivíduos) e as provas de sua teoria estão expressas nas semelhanças entre culturas e religiões. (recomendo assistir a série “O poder do Mito” aqui no blog). E os arquétipos seriam imagens latentes que provem de nosso inconsciente coletivo, comum a todos nós como uma espécie de matriz natural, porém essas imagens vão “tomando forma” durante nossa individuação. Dois arquétipos representam a imagem da mulher e do homem, e são respectivamente eles, a anima e o animus.

Sabemos que o homem possui uma minoria de genes femininos que foram sobrepujados pela maioria masculina, e no campo do inconsciente essa minoria feminina é o que Jung chama de anima, é como uma pequena parte feminina dentro do homem. Esse arquétipo é a própria imagem da mulher e usa as mulheres que fazem parte da vida do homem como receptáculo para sua imagem. Inicialmente a anima utiliza a imagem da mãe, o que faz com que a criança tenha uma imagem quase mágica da mãe. Ao longo de sua vida o homem transfere essa imagem para coisas externas e reais, a imagem vai mudando e sofrendo influencias de outras mulheres, podem ser a professora, tia, uma atriz famosa e etc. A anima toma a forma da mulher que o homem constrói ao longo de sua experiência e por isso é muito comum o homem seguir certos padrões quando busca uma parceira, são características que mesclam qualidades de sua mãe com de outras mulheres que infestaram seu imaginário quando mais novo. Quando o homem mescla a anima a componentes sexuais, isso fica mais evidente com um comportamento mais romântico e sua atenção a estética. Podemos ver a representação da anima em contos de fadas, pinturas, poemas, musicas e até mesmo nas cartas de Tarô (a Papisa por exemplo).

Enquanto no homem a anima é ligado um aspecto mais feminino, sensível e intuitivo, na mulher o animus, representa um aspecto mais masculino, decisivo e é constituídas das experiências que a mulher teve ao longo de sua vida em encontros com o homem. Funciona como a anima no homem, porém o animus representa a minoria de genes masculinos, sobrepujados pelos femininos. A imagem do animus tem como primeiro receptáculo a imagem do pai e com o tempo vai sendo mesclada, por imagens de artistas, poetas, músicos e etc. Não preciso entrar em muitos detalhes sobre o animus, pois ele está para a mulher como a anima está para o homem. O animus determina o ideal do parceiro que a mulher pretende eleger para si.

image Enquanto o homem projeta a anima na mulher amada, a mulher projeta o animus no homem amado. Essas imagens trazem um ideal perfeito, fazendo que a pessoa amada se torne irresistível, e por este motivo, não é raro os conflitos entre casais, pois seus ideais não vão corresponder na totalidade de seu amado(a), e quando a realidade é conflitada com as imagens quase fantasmagóricas do animus e da anima os problemas surgem. Isso não quer dizer que a imagem romântica de um relacionamento deva ser apagada, pelo contrario, essa é uma boa oportunidade para se lidar com as diferenças e tentar conhecer melhor o seu parceiro(a).

Os arquétipos podem dar um sabor, mais fantástico a vida, e isso é bom, porem não podemos exigir que o próximo corresponda aos seus ideais, se não o individuo não estiver bem resolvido com essas questão, provavelmente ele vai pular de um relacionamento para outro, sempre “cometendo o mesmo erro”.

Bem acho que é isso, sei que o texto pode conter erros ou você pode ter outra visão sobre o assunto, então aproveite compartilhe conosco pelos comentários ou pelo e-mail: alceman@hotmail.com

Até o próximo post.

Referencias:

Silveira, Nise Da; Jung Vida e Obra; 21ª Edição; Editora Paz e Terra.

http://katiaemanexo.blogspot.com/2009/09/critica-ao-amor-e-amizade.html (imagem do andrógeno)

http://www.psychokiller.blogger.com.br/2006_07_01_archive.html (imagem do ursinho triste)

Infelizmente eu perdi a anotação com toda a referencia que usei, então postarei posteriormente as referencias completas.

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O conto de fada numa abordagem Junguiana

23 de novembro de 2009


A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

* Marilene Tavares de Almeida pós-graduanda em literatura infantil.

O “Ritual” para Jung

31 de outubro de 2009

É com grande prazer que inicio a parceria com o Blog Pre- Junguiano. A algumas semanas atrás, postei no blog do meu amigo Ebrael “Os Rituais do cotidiano”, onde mostrou-nos o quanto andamos no automatismo da vida e de sucessivos rituais como : rolar, arrastar-se, engatinhar, andar, falar etc.

Hoje pretendo falar desse mesmo ritual, mas na visão Junguiana, segue abaixo algumas considerações a respeito.

ritual

“Quando o iniciado, à noite, se dirigia para a gruta sagrada, oculta na solidão da floresta, a cada passo novas impressões despertavam uma emoção mística em seu coração”.(Jung)

Jung observou que desde os começo dos tempos, o homem tem recorrido a instrumentos artificiais, a ações ritualísticas, tais como danças, cantos, identificação com espíritos ancestrais, etc.

Partindo do princípio junguiano, a mente e a personalidade existem como ilhas num vasto mar psíquico, mais abaixo está o inconsciente  coletivo, do qual somos capazes de obter conhecimento e compreensão durante os rituais.

Rituais, portanto, facilitam a conexão entre as realidades exteriores e interiores, entre as esferas superiores e inferiores.

Através do ritual, podemos nos mover além dos limitados confins do self  e experimentar as “profundezas indomadas” da alma coletiva.

É através também dos rituais que podemos tocar na iminência não só do mundo natural, como também na iminência do divino.

Através de rituais, e mais especificamente, através da Invocação da Divindade dentro do ritual, nós incorporamos o Deus dentro do círculo, como dentro de nós mesmos.

Através dos rituais, nós criamos e entramos em estados alterados de consciência caracterizados pela abertura. Através deste portal, entramos nas profundezas do inconsciente coletivo, onde o poder das imagens simbólicas serve para nos ligar com pensamentos, visões e conhecimento Daquele que não se pode ver.

Quando, através da Invocação, entramos num estado mais profundo de consciência, nós nos fundimos com a imagem arquetípica e naquele momento nos transformamos em Deus.

Muitas religiões utilizam o ritual para evidenciar a crença e concretizar, de alguma forma, aquilo que é numinoso.

Para Jung a religião é uma atitude da mente, uma observação cuidadosa em relação a certos poderes espirituais, demoníacos, deificados.

O termo ‘religião’,para ele, designa a atitude peculiar a uma consciência, que foi mudada pela experiência do numinoso.

Assim sendo, pode-se compreender que o conceito de religião não é defendido por Jung no sentido dogmático ou teológico, mas como experiência religiosa do divino ou transpessoal.

“Gostaria de deixar claro que, com a expressão ‘religião’, não me refiro a um credo. Nestes termos, é certo dizer, por um lado, que toda confissão se fundamenta originalmente na experiência do numi-nosum, mas, por outro lado, também na ‘pistis’, na fidelidade (lealdade), na fé e na confiança em determinada experiência de efeito numinoso, e nas consequentes mudanças na consciência”.(Jung)

Em sua obra Psicologia e Religião, Jung tenta correlacionar a abordagem psicológica à religiosa, insistindo que a religião deve ser considerada pelos profissionais que trabalham com a área da saúde mental, uma vez que esta representaria o que há de mais antigo e universal na mente humana. Para ele as pesquisas deveriam ser realizadas à luz de uma análise fenomenológica.

Deste modo, a religião teria por finalidade estudar as forças dinâmicas externas que exercem ação sobre o sujeito.

Os rituais estão presente nos cultos religiosos para contemplar seu aspecto legal e determinista. O homem vem ao longo de sua trajetória histórica elaborando rituais com o fim de se proteger das sombras que insistem em emergir do seu inconsciente.

“Há algo de medonho no fato de o homem também possuir um lado sombrio, que não consiste apenas em pequenas fraquezas e defeitos, mas em uma dinâmica diretamente demoníaca…Mas se deixarmos esses seres inofensivos formarem uma massa, poderá surgir dela, eventualmente, um monstro delirante…Temos um leve pressentimento de não estar completos sem este lado negativo, de que temos um corpo que, projeta forçosamente uma sombra, e de que renegamos esse corpo.”(Jung)

Sobre o numinoso e o sagrado, pode-se afirmar, no contexto junguiano, que representam o divino incompreensível e, ao mesmo tempo, revitalizados como força desperta sob a forma de confiança e pavor.

“Se na psique não existissem grandes valores referentes à experiência, a psicologia não me interessaria nem um pouco, já que a psique seria, então, nada mais que um deserto miserável. Mas com base em centenas de experiências sei que ela não é assim. Ao contrário, ela contém o correlato de todas aquelas experiências que formularam o dogma, e ainda mais alguma coisa que a torna capaz de ser o olho definido para ver a luz… Acusaram-me de ‘deificação da psique’. Foi Deus  e não eu, quem a deificou! Não fui eu quem criou para a alma uma função religiosa…, somente expus os fatos que comprovavam que a alma é naturaliter religiosa…”(Jung)

Para Jung, a instância que abriga a imagem divina na psique humana é o self . Este seria um princípio ordenador da personalidade capaz de conter todas as possibilidades do ‘vir a ser’, dando significado ao símbolo.

Assim sendo, pode-se inferir que tudo o que já foi manifesto nas escrituras bíblicas e nos dogmas cristãos possui correlato com a função religiosa da psique, ou seja, são expressões do arquétipo religioso contido em cada pessoa.

“O que chamamos comumente e em termos genéricos de ‘religião’ é de modo tão surpreendente um substituto, que me pergunto seriamente se essa espécie de religião, que preferiria chamar de confissão, não teria uma função importante na sociedade humana. Ela tem o objetivo óbvio de substituir a experiência direta por uma diversidade de símbolos adequados, sob a forma de dogma ou de ritual bem organizado.”(Jung)

Jung salienta que o protestantismo tendo se despojado de muitos rituais preservados pelo catolicismo, deixou o indivíduo se confrontar com seus aspectos sombrios, o que em muito beneficiou as modernas sociedades, pois as tornou mais analíticas.

É necessário o engajamento do ego  que irá corresponder às solicitações do processo de individuação, que será o processo pelo qual os seres individuais se formam e se diferenciam; é o desenvolvimento  de um indivíduo psicológico como um ser distinto da psicologia geral e coletiva.

Esta individuação se torna um ato de significação religiosa, uma vez que confere significado ao esforço individual.

No âmbito das interações entre indivíduo e psique coletiva, entende Jung que a existência de uma atitude religiosa viva e válida é o único meio capaz de promover essa conciliação.