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Sobre a maturidade masculina

29 de janeiro de 2010

Durante muito tempo a cultura popular tem passado a imagem de um homem que não coincide com a sua masculinidade. Muitos não sabem o que é ser verdadeiramente homem, ninguém os ensinou. Buscam viver de aparências, fingindo serem íntegros em sua personalidade. Passam parte de suas vidas escondendo-se de si e dos outros, tentando mostrar uma imagem que não lhes pertence.

Durante muito tempo a cultura popular tem passado a imagem de um homem que não coincide com a sua masculinidade. Muitos não sabem o que é ser verdadeiramente homem, ninguém os ensinou. Buscam viver de aparências, fingindo serem íntegros em sua personalidade. Passam parte de suas vidas escondendo-se de si e dos outros, tentando mostrar uma imagem que não lhes pertence.

A sociedade atual apresenta a figura do homem perfeito como sendo aquele que se dedica ao trabalho, se esforça para ser um empresário famoso no mundo empresarial, que nunca perde, mas sempre ganha nos negócios. Uma máquina ambulante de produção. Isso tem feito com que o homem reprimisse tudo o que vem a ser empecilho para a sua ascese no campo sócio-econômico, inclusive o seu lado sentimental, dos afetos e da sensibilidade. Diante dessa realidade surge o questionamento: Por quê os homens se tornaram tão vazios de sentimentos e tão superficiais? Tal problema pode ser estudado à luz da psicologia de Carl Gustav Jung.

Para Jung, a personalidade é constituída de várias instâncias que estão em constante tensão, onde uma se opõe à outra. Dentre essas se destacam a anima e animus. A primeira seria a imagem coletiva da mulher presente no inconsciente do homem, levando-o a ter características femininas em sua personalidade. A segunda, pelo contrário, é a imagem masculina presente no inconsciente da mulher. Essas imago são denominadas arquétipos (conjunto de imagens herdadas de nossos ancestrais) e se encontram no inconsciente coletivo de todo indivíduo. São elas que permitem a identificação do homem coma natureza da mulher e vice-versa.

De acordo com Jung “não existe homem algum, tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino.”[1] O fato é que, na maioria das vezes, os homens ocultam esta vida afetiva, que em muitos casos é vista como característica própria da mulher. Com isso o homem acredita ser uma virtude reprimir esses traços de sua personalidade. O que ele não sabe é que todo material reprimido não é anulado. Ele é acumulado no inconsciente, podendo retornar ao consciente de outras formas.

A repressão da anima pelo homem pode criar no mundo externo a imagem de um homem forte, firme em suas decisões e aparentemente realizado. Entretanto, quando ele se depara com o mundo interior, percebe que existe uma criança delicada, que tem medo de si e dos outros e ao mesmo quer se lançar em busca de uma vida plena, de paixão, ternura e amizade. Com isso, se percebe que um dos problemas ligados à masculinidade se deve à não aceitação da imago feminina.

Analisando a formação do homem no contexto da modernidade, fica evidente o desenvolvimento desordenado de sua personalidade. Não ensinaram o menino a ser homem. O fato é que ele cresce dentro de um ambiente onde o método educativo consiste na supressão ou repressão das fraquezas. A sociedade, sobretudo na cultura ocidental, introduziu na cabeça dos meninos que o homem, para provar a sua masculinidade, não podia expressar sentimento algum. O homem-varão não pode chorar, ser carinhoso, dizer palavras dóceis nem ser educado. Ele não pode manifestar características que pertencem às mulheres.

Desse modo, formou-se muitos homens grosseiros, machões, verdadeiros “tanques de guerra”. Homens superficiais que preferem se relacionar com o mundo financeiro da empresa a ousar demonstrar sensibilidade para com os filhos e a esposa. “A maioria esmagadora dos homens é incapaz de colocar-se individualmente na alma do outro”.[2]

O menino que cresce reprimindo a sua anima possivelmente terá problemas no relacionamento com os outros, sobretudo com as mulheres. É perceptível a falta de intimidade presente no relacionamento de homens que sufocam a sua anima. Quem não conhece um modelo de homem assim?

Portanto, é necessário que o homem tenha coragem de se lançar num caminho de maturação e de resgate da sua autêntica masculinidade. O psicólogo austríaco Steve Bidduph em seu livro, Por que os homens são assim? diz que “se existe um primeiro passo a ser dado pelos homens em direção à cura, provavelmente é começarem a ser mais verdadeiros”.[3] Isto é, assumir que da forma que vivem na sociedade não os torna felizes. Aceitar que viver fingindo ser alguém é tolice, e só trará sofrimento para si mesmo. Para Jung o ponto de maturidade da psique humana está na harmonia das várias instâncias.

Neste caso, a harmonia entre anima e animus, cuja falta de desenvolvimento de um ou do outro retém o pleno desabrochar da personalidade. É preciso que o homem tome consciência desta bissexualidade inata na sua personalidade, ou seja, a presença da natureza feminina, possibilitando assim, seu encontro com a verdadeira masculinidade.

“O homem natural vive em todo homem. Ele é belo e divino. Tem uma enorme energia fundamental e um grande amor pelo mundo. É tão educador, protetor e criador quanto a figura feminina, mas educa, protege e cria a seu jeito masculino. … A tarefa do homem é se conhecer melhor, de modo a aumentar sua contribuição para o mundo e a honestidade para consigo” Asa Baber, em Wingspan.[4]

[1] JUNG, Carl Gustav. Parte II: Anima e animus. Estudos de psicologia analítica. Ed. Vozes. Petrópolis, 1981.p.179, 197.
[2] JUNG, Carl Gustav. Parte III: A técnica de diferenciação entre o eu e as figuras do inconsciente. p.210,363.
[3] BIDDUFH, Steve. Cap. 2: O que saiu de errado. Por que os homens são assim?. Ed.: Fundamento, São Paulo,2003. p.12.
[4] BIDDFH, Steve. Cap.11: O espírito natural dos homens. p. 130

Freitas_filosofia

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O conto de fada numa abordagem Junguiana

23 de novembro de 2009


A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

* Marilene Tavares de Almeida pós-graduanda em literatura infantil.

O “Ritual” para Jung

31 de outubro de 2009

É com grande prazer que inicio a parceria com o Blog Pre- Junguiano. A algumas semanas atrás, postei no blog do meu amigo Ebrael “Os Rituais do cotidiano”, onde mostrou-nos o quanto andamos no automatismo da vida e de sucessivos rituais como : rolar, arrastar-se, engatinhar, andar, falar etc.

Hoje pretendo falar desse mesmo ritual, mas na visão Junguiana, segue abaixo algumas considerações a respeito.

ritual

“Quando o iniciado, à noite, se dirigia para a gruta sagrada, oculta na solidão da floresta, a cada passo novas impressões despertavam uma emoção mística em seu coração”.(Jung)

Jung observou que desde os começo dos tempos, o homem tem recorrido a instrumentos artificiais, a ações ritualísticas, tais como danças, cantos, identificação com espíritos ancestrais, etc.

Partindo do princípio junguiano, a mente e a personalidade existem como ilhas num vasto mar psíquico, mais abaixo está o inconsciente  coletivo, do qual somos capazes de obter conhecimento e compreensão durante os rituais.

Rituais, portanto, facilitam a conexão entre as realidades exteriores e interiores, entre as esferas superiores e inferiores.

Através do ritual, podemos nos mover além dos limitados confins do self  e experimentar as “profundezas indomadas” da alma coletiva.

É através também dos rituais que podemos tocar na iminência não só do mundo natural, como também na iminência do divino.

Através de rituais, e mais especificamente, através da Invocação da Divindade dentro do ritual, nós incorporamos o Deus dentro do círculo, como dentro de nós mesmos.

Através dos rituais, nós criamos e entramos em estados alterados de consciência caracterizados pela abertura. Através deste portal, entramos nas profundezas do inconsciente coletivo, onde o poder das imagens simbólicas serve para nos ligar com pensamentos, visões e conhecimento Daquele que não se pode ver.

Quando, através da Invocação, entramos num estado mais profundo de consciência, nós nos fundimos com a imagem arquetípica e naquele momento nos transformamos em Deus.

Muitas religiões utilizam o ritual para evidenciar a crença e concretizar, de alguma forma, aquilo que é numinoso.

Para Jung a religião é uma atitude da mente, uma observação cuidadosa em relação a certos poderes espirituais, demoníacos, deificados.

O termo ‘religião’,para ele, designa a atitude peculiar a uma consciência, que foi mudada pela experiência do numinoso.

Assim sendo, pode-se compreender que o conceito de religião não é defendido por Jung no sentido dogmático ou teológico, mas como experiência religiosa do divino ou transpessoal.

“Gostaria de deixar claro que, com a expressão ‘religião’, não me refiro a um credo. Nestes termos, é certo dizer, por um lado, que toda confissão se fundamenta originalmente na experiência do numi-nosum, mas, por outro lado, também na ‘pistis’, na fidelidade (lealdade), na fé e na confiança em determinada experiência de efeito numinoso, e nas consequentes mudanças na consciência”.(Jung)

Em sua obra Psicologia e Religião, Jung tenta correlacionar a abordagem psicológica à religiosa, insistindo que a religião deve ser considerada pelos profissionais que trabalham com a área da saúde mental, uma vez que esta representaria o que há de mais antigo e universal na mente humana. Para ele as pesquisas deveriam ser realizadas à luz de uma análise fenomenológica.

Deste modo, a religião teria por finalidade estudar as forças dinâmicas externas que exercem ação sobre o sujeito.

Os rituais estão presente nos cultos religiosos para contemplar seu aspecto legal e determinista. O homem vem ao longo de sua trajetória histórica elaborando rituais com o fim de se proteger das sombras que insistem em emergir do seu inconsciente.

“Há algo de medonho no fato de o homem também possuir um lado sombrio, que não consiste apenas em pequenas fraquezas e defeitos, mas em uma dinâmica diretamente demoníaca…Mas se deixarmos esses seres inofensivos formarem uma massa, poderá surgir dela, eventualmente, um monstro delirante…Temos um leve pressentimento de não estar completos sem este lado negativo, de que temos um corpo que, projeta forçosamente uma sombra, e de que renegamos esse corpo.”(Jung)

Sobre o numinoso e o sagrado, pode-se afirmar, no contexto junguiano, que representam o divino incompreensível e, ao mesmo tempo, revitalizados como força desperta sob a forma de confiança e pavor.

“Se na psique não existissem grandes valores referentes à experiência, a psicologia não me interessaria nem um pouco, já que a psique seria, então, nada mais que um deserto miserável. Mas com base em centenas de experiências sei que ela não é assim. Ao contrário, ela contém o correlato de todas aquelas experiências que formularam o dogma, e ainda mais alguma coisa que a torna capaz de ser o olho definido para ver a luz… Acusaram-me de ‘deificação da psique’. Foi Deus  e não eu, quem a deificou! Não fui eu quem criou para a alma uma função religiosa…, somente expus os fatos que comprovavam que a alma é naturaliter religiosa…”(Jung)

Para Jung, a instância que abriga a imagem divina na psique humana é o self . Este seria um princípio ordenador da personalidade capaz de conter todas as possibilidades do ‘vir a ser’, dando significado ao símbolo.

Assim sendo, pode-se inferir que tudo o que já foi manifesto nas escrituras bíblicas e nos dogmas cristãos possui correlato com a função religiosa da psique, ou seja, são expressões do arquétipo religioso contido em cada pessoa.

“O que chamamos comumente e em termos genéricos de ‘religião’ é de modo tão surpreendente um substituto, que me pergunto seriamente se essa espécie de religião, que preferiria chamar de confissão, não teria uma função importante na sociedade humana. Ela tem o objetivo óbvio de substituir a experiência direta por uma diversidade de símbolos adequados, sob a forma de dogma ou de ritual bem organizado.”(Jung)

Jung salienta que o protestantismo tendo se despojado de muitos rituais preservados pelo catolicismo, deixou o indivíduo se confrontar com seus aspectos sombrios, o que em muito beneficiou as modernas sociedades, pois as tornou mais analíticas.

É necessário o engajamento do ego  que irá corresponder às solicitações do processo de individuação, que será o processo pelo qual os seres individuais se formam e se diferenciam; é o desenvolvimento  de um indivíduo psicológico como um ser distinto da psicologia geral e coletiva.

Esta individuação se torna um ato de significação religiosa, uma vez que confere significado ao esforço individual.

No âmbito das interações entre indivíduo e psique coletiva, entende Jung que a existência de uma atitude religiosa viva e válida é o único meio capaz de promover essa conciliação.