O dia em que fui “obrigado” a ficar do lado da psicanálise!

Antes de mais nada, não caro leitor! Não abandonei Jung e nem tanto estou me inclinado para a psicanalise. Na verdade nem sequer vou entrar em um debate teórico. O que vou desabafar aqui é uma situação em que fui obrigado a assistir na qual a psicanalise foi vitimada e eu me sentiria mal se não desabafasse nas próximas linhas, pois antes de ser um grande admirador de Jung, também sou um ser humano e não gosto de ataques destrutivos seja para quem for.

Confuso? Bem, deixe-me situá-lo um pouco. Houve uma situação chata em que um docente fez um ataque gratuito a essa abordagem com o intuito destrutivo, na data de ontem. Vou contar a história logo abaixo.

Estamos, na universidade em que eu frequento, em período de ATIVs (trabalhos/seminários), e como é de praxe a turma é dividida em grupos e cada um apresenta um tema. O grupo que apresentou ontem falou um pouco sobre dependência química, e entre os autores usados para o trabalho estava Lacam. Foi ai que começou o ataque.

O falecido autor, foi acusado de se utilizar de “acrobacia intelectual” (admito que Lacam realmente não é fácil), e que todo argumento sobre o gozo, era bonito se escutar mas é inútil na prática. Os ataques continuaram e o nosso docente se ariscou a tentar ‘traduzir’ o pensamento publicado no quadro (que não colocarei aqui para não correr o risco de transcrever erroneamente), mas ele logo desistiu de sua interpretação diante de sua incapacidade de entender o autor.

Ele sequer apresentou uma alternativa melhor, e fez um pequeno ‘eterno’ discurso mostrando como seria inútil usar tais pensamentos com um dependente, pois o mesmo não entenderia. Mas espere ai! Não para o dependente entender! Que diabos de psicologo leria Lacam para seu paciente? Ou quaisquer autor que seja.

Não é a psicanalise que eu estou aqui defendendo. Estou defendendo aqui o direito individual, que cada um tem de escolher aquilo que acredita ser o melhor para você. Aliais! Eu pessoalmente acredito que é a abordagem que escolhe você. Afinal a melhor psicologia é aquela que te serve.

Da mesma forma que eu não gosto de ter a minha ‘psicologia do coração’ (junguiana) atacada por alguém que sequer sabe do que está falando. Se ele teve tal liberdade para atacar uma das mais defendidas de minha faculdade, o que eu posso esperar quando for a minha vez de ir lá a frente e usar Jung?

Exitem profundas diferenças entre criticar e atacar. Entenda meu conceito de ‘criticar’. Criticar para mim nada tem haver com ódio, para mim é acreditar que você tem uma proposta mais adequada à aquela apresentada. Mas nem por isso devemos tentar destruir o colega.

Chega de guerra! Acha que tem uma proposta melhor? Propõe um debate! Defenda sua linha de pensamento. Se bem me lembro bem, ontem ao se perguntado sobre qual vertente da psicologia o indivíduo em questão segue, ele não conseguiu responder. Estranho né?

Vou parar a historia por aqui, pois o ‘discurso’ caminhou mais adiante indo parar lá na fronteira do absurdo, aonde o conceito ‘eletrochoque’ ainda vagava como uma opção a nível da inquisição. Sério! Não iria estranhar se falasse em bruxas e fogeiras

Enfim, admito que tem muitas coisas da psicanalise que eu não gosto, tanto que não me identifico, mas ainda sim é uma linha antiga e importante na história da psicologia e também da Psicologia Analítica, que tem como ‘patriarca’ o Jung. Se eu não gosto de uma coisa na teoria do colega, a minha obrigação é de apresentar uma proposta alternativa e adequada. E mesmo que eu consiga outra proposta, não significa que o outro está errado, se fosse fácil assim determinar o que é certo ou errado, não haveria tantas diferenças, como psicologo ele deveria saber disso.

Bem esse foi um pequeno desabafo. Escrevi esse texto sem revisar e espero que esteja coerente, se eu escrevi algo que te ofendeu, me desculpe já de antemão, me avisa que eu corrigirei.

Vamos celebrar essa grande diversidade que é a psicologia, e vamos deixar a guerra teórica para ser resolvida no campo teórico.

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One Comment em “O dia em que fui “obrigado” a ficar do lado da psicanálise!”


  1. Eu admiro sua coragem em defender suas ideias, e concordo quando você diz que é a abordagem que escolhe a pessoa, eu estudo a psicologia Analítica e faço porque acima de tudo acredito no poder de transformação do homem para mudar a porcaria que a vida se tornou, o tempo da guerra precisa acabar, precisamos resgatar o que há de humano em nós. estou contigo.


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