Mutável: assim vejo a Vida!!

Por Ebrael Shaddai.

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Quero agradecer ao amigo Elias pela oportunidade de expor minhas idéias. Oxalá eu possa contribuir comas reflexões propostas pelo Elias a todos os buscadores do conhecimento.

No afã de decidir, entre tantos compromissos blogosféricos, sobre o tema de meu ensaio de estréia, resolvi buscar uma frase de Jung para fazer uma crítica, à luz de minha vivência de particular. Ei-la:

O conhecimento não baseia-se apenas na Verdade, mas também no Erro.

De início, percebo algo interessante: ele não refere-se a nenhuma mentira. Ele vê a Verdade não como algo absoluto, mas uma antítese, como a claridade a é em relação à escuridão. Afinal, a Verdade absoluta, se ela houver, não admite um oposto, não precisa de nada que a equilibre. A verdade cada um tem a sua. Mas como aferir se uma verdade está certa?? Não há.

Conceituo a Verdade relativa como algo que permite que alguém afirme algo sem dúvidas. Mas, então Hitler dizia verdades, só por estar convicto do que dizia?? Sim, Hitler dizia verdades àqueles que não duvidavam dele.

Conceituo Erro como algo que te leva a ir por um caminho (qualquer caminho) que você não trilha segundo a Verdade (certeza de algo “agora” imutável). Você segue sem estar convicto. Por mais que essa escolha seja “benéfica”, ela será um erro na medida que vai contra sua Consciência, contra seu conhecimento acerca de sua verdade.

Num segundo instante, vejo retratada na frase célebre de Jung uma alusão clara sobre a dualidade fundamental do Universo manifestado (que pode ser aferido pela mente objetiva ou subjetiva).

À luz do dito de Jung, poderíamos traçar um axioma:

Erro ————->>> Sophia <<<————- Verdade

E porque isso?? O que seria essa dualidade fundamental?? Nada a ver com alma e matéria, não!! Filosoficamente, poderia afirmar que o Livre-Arbítrio é o produto áureo dessa dualidade fundamental, que transforma tudo em moedas. Sim, moedas, como as moedas têm duas faces, todas as idéias primordiais (Arquétipos), formam pares de opostos, não para uma guerra eterna, mas para oferecer possibilidade ao homem de decidir. Somente pode evoluir quem pode decidir, seja entre uma casa ou apartamento, seja entre uma coxinha ou um ovo recheado.

Tudo é uma coisa só. Depois do Zero eterno, que fica entre dois polos (números negativos e positivos), surgiram todas as potências universais de manifestação e todas as coisas que esses “números” representam. O Zero foi o primeiro número sem ser número. Por isso é a representação do Eterno, que É sem ser coisa alguma, que não é  positivo nem negativo. Por isso é circular, à moda pitagórica.

Enquanto seres pensantes, sujeitos às marés da vida, sempre estaremos envoltos de tormentas e calmarias, dias de sol e noites de temporais. Assim é porque necessitamos da noite negra e escura, para descansarmos, e nunca reclamamos dela.

Assim são as dores, apenas sensações físicas ou espirituais, que nos alertam de um desequilíbrio. Todas coisas são neutras, em essência, o pecado que transgride e liberta e a virtude que liberta e congrega a mente e o corpo em harmonia.  Todas as coisas podem ser boas ou más, ao meu e ao seu olhar, sem querer dizer que absolutamente são assim ou que permanecerão assim.

Como julgar Hitler, se ele acreditava mesmo ser um predestinado, se ele cria mesmo que ele faria um bem à humanidade, exterminando os judeus?? Para nós todos, o que ele fez é repugnante, mas como censurar a mente de Hitler, mente essa que era um Mundo só dele, Mundo no qual cada um é Rei e súdito, Deus e o Diabo, a Luz e as Trevas??

Todos somos Um, dentro de cada um, e na pluralidade!! Somos o Bem e o Mal reconhecíveis quando andamos na rua, quando nos olhamos ao espelho e deitamos em nossa cama à noite, solitários.

Como dizia Fernando Mendes Campos, dando uma de Deus:

Bebe a água sem bebê-la, e anda por toda parte sem ir a parte alguma.

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Fontes:

http://www.frases.mensagens.nom.br/frases-autor-c1-carlgustavjung.html

http://memoriasdeebrael.blogspot.com/2009/10/fernando-mendes-campos-e-o-folclore-de.html

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9 Comentários em “Mutável: assim vejo a Vida!!”


  1. excelente.
    sem mais,

    abçs

  2. Claudinha Says:

    Ebrael!
    Se tu me permites alguns comentários, quero te dizer que, enquanto estudante, tinha uma birra danada com Jung! Rrsr! Talvez não conseguisse entender a profundidade de seu pensamento…
    Em segundo lugar quero te dizer que há muito a ciência deixou de ser A Verdade. Aquela tão falada neutralidade científica caiu por terra. Hoje falamos em “verdades circunstanciais´”, se é que posso chamar assim. Eu costumo dizer, como Einstein (pretenciosa, não?) que tudo é relativo, tudo depende de quem vê, de quem discursa, de quem ouve, de o que busca quem faz ciência, de quem patrocina. É verdade. “Cada cabeça, uma sentença”.
    Discordo de ti quando falas de Hitler. Poderia ser outro qualquer, mas essa questão é uma que me afeta pessoalmente, em razão de coisa que um dia te conto. Sim, Hitler era um doente, um louco, mas não ache que esse “louco” aqui não sabia o que fazia. Ele não era um esquizofrênico em surto! Sim, ele achava que fazia um bem a humanidade, mas meu filho também acha que está fazendo um bem para minha filha quando pega o brinquedo da menina com a desculpa de que ela pode se machucar! Ele está é querendo o brinquedo e não cuidar da irmão, então eu o censuro! Porque não? Achar que faz o bem não é o mesmo que fazer. Sim, nós repudiamos Hitler e ele merecia censura sim. Ele achava que tinha a verdade absoluta, que discutimos aqui. Não há. Ele próprio o sabia, senão não teria usado à força contra sua própria população. Não teria aliciado um contigente enorme de pessoas se não fosse por meios escusos. E ele sabia que eram escusos…
    A verdade? Cada um tem a sua, mas quando alguém tem coragem de nos confrontar, tudo pode ruir.
    Me expliquei ou compliquei?
    Bjs!


    • Claudinha!!

      Ótimos comentário!! Me suscitou reflexões!! Começando:

      1. “Hoje falamos em “verdades circunstanciais´”, se é que posso chamar assim. Eu costumo dizer, como Einstein (pretenciosa, não?) que tudo é relativo, tudo depende de quem vê, de quem discursa, de quem ouve, de o que busca quem faz ciência, de quem patrocina. É verdade. “Cada cabeça, uma sentença”.”

      Com certeza, é isso justamente o q eu disse: a Verdade pode ser isso ou aquilo, pode ser genuina ou falsa, limpida ou mascarada. ´Relativa, principalmente em que não podemos aferir com certeza o q pensam as pessoas, nem o q nós pensamos na verdade. Mas relatias sim essa verdades, mas as verdades de nossos mundos particulares, e como não há verdade absoluta aqui, como podemos saber q não existe uma verdade absoluta??

      2. “Ele não era um esquizofrênico em surto! Sim, ele achava que fazia um bem a humanidade, mas meu filho também acha que está fazendo um bem para minha filha quando pega o brinquedo da menina com a desculpa de que ela pode se machucar!”

      Creio piamente em algo q o Raul Seixas cantava, em Meu Amigo, Pedro: Casa Um de Nós é um Universo!! Não importa o q achemos de Hitler, q tipo de repugnância sentimos em relação a ele O q ele fez é monstruoso?? É sim, e afirmo tbm. Mas a verdade no mundo dele era essa, e no mundo dele essa verdade era verdadeira. Pelo erro, ele chegou a verdade de seus atos, e do tamanho da ilusão de seu orgulho: por isso, suicidou-se. A verdade é relativa, e cada um tem a sua, e ele tinha a dele, por mais bizarra que ela fosse!!

      BJs Cláudia!! São só opiniões!! Agradeço pelo seu carinho e atenção!!

  3. Luísa Says:

    Ebrael,

    Para já, a minha filosofia a psicologia são de ‘gaveta’. Por isso, as teorias dos grandes pensadores são, de certo modo, entendidas por mim, como pela grande maioria das pessoas: ‘à nossa maneira’. No entanto, parece-me muito simplista que a Sabedoria (Sophia) seja apenas a verdade e o erro. Muitas verdades existem e muitos erros também. Os arquétipos Junquianos, embora tenham a sua validade, também me parecem muito limitados e muitas vezes confrangedores.

    Quanto ao Hitler, eu penso que ele sabia muito bem o que queria e o que fazia. Baseado nas suas próprias fontes teóricas e filosóficas, ele não vivia no mundo da lua acreditando que estava a fazer bem à humanidade, ele sabia que para chegar ao fim a que se propôs tinha que exterminar os judeus, por exemplo. Muito honestamente não acredito que ele tivesse sido um pobre alienado.

    Excelente texto para discussão. Parabéns!

    Beijos
    Luísa


    • Luisa,
      Não, não disse q Hitler era alienado. Pelo contrário: tinha a sua verdade, e aí te pergunto: podemos censurá-lo em nosso mundo, mas como poderíamos censurá-lo cara a cara, e dizer q o q ele acreditava era bom ou mal?? Simples, só faríamos isso se fosse analisado a capacidade dele de nos favorecer ou nos matar. Se ele usasse aquilo tudo q acreditasse somente para se matar (pq ele mesmo era judeu), ninguém daria a mínima importância. Perderíamos o sono por 6 milhões de células de Hitler mortas, mais do q por 6 milhões de judeus?? Não, claro q não. A verdade é verdade pra nós à medida em que ela afeta, ou não, nosso mundo particular.

      O axioma foi mal interpretado por vc…Nem é simplista, pois nele se encontram bem mais alusões q vc pode imaginar. Simplesmente, por se tratar de um post de estréia naquele blog, não quis me estender demais. Bem, Verdade e Erro: vc pode dizer o q Deus é?? Do q ele é feito?? Isso, se ele mesmo existir?? E pq não existiria??

      O axioma encerra em si valores binários, negativos e positivos, negativos e afirmativos!! Se vc pode não saber o q Deus é, se vc achar q ele não está na natureza objetiva, poderá dizer o q ele não é…e isso não denota in-definição, e sim uma definição negativa!! Não sei se vc conseguiu pegar o espírito da coisa…

      Mas obrigado por me dar a oportunidade de desenvolver mais o tema!!

      Bjs Luisa!!


  4. Olá, Ebrael!

    A definição do que a pessoa é esdquisita ou destoa do normal é ela fazer ou se comportar de forma totalmente fdiferente da maioria ou da imensa maioria. Mas, podemos definir que essa pessoa seja um alucinado ou um débil mental? Claro que não, provavelmente ele esteja fazendo ou se comportando de acordo com o que ache o certo ou se sinta bem. Isso, evidententemente, não se pode considerar o verdadeiramente doentes. Muitas vezes a verdade vai muito além da verdade.

    Abraços

    Francisco Castro


    • Com certeza, Francisco!!
      A verdade está no enésimo andar acima da verdade térrea (da Terra), tão longe ao olhar e perto ao “telefone” da alma!!

      Abçs!!


      • Oi Sara querida!!

        O Tempo não é mutpavel, é o mesmo, mas na minha visão não como linha, mas avançando em espiral. O tempo é cíclico, sendo o arco ascendente superior análogo ao inferior, mas nunca igual. Um exemplo é a ascensão e queda dos Impérios, sem pre ocorrendo dentro de um ciclo e esquemas idênticos, só mudando alguns personagens, resultando em arcos mais alongados… não sei se vc entendeu a alusão ou metáfora.

        Bjs Sara!!


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